
O que é a glória é também a sua frustração. O goleiro sofre. No entanto, apenas os goleiros de futebol cabem nesta crônica.
Que atire a primeira luva aquele que nunca torceu um dedo! Mas eles estão lá, chuva ou sol, quebrando barreiras e costelas para defender o chute de algum infeliz. Também estão lá com aquela calça acolchoada em pleno calor do Rio de Janeiro. Mas estão sempre lá – fazem e levam gols. Alguns jogos monótonos, outros nem tanto. O único jogador a variar entre herói e vilão numa diferença de noventa minutos – às vezes menos. Glória e fracasso lado a lado, jogo a jogo. E como amenizar isso? Ser reserva.
Certamente o goleiro é o único a ter um sentimento peculiar (e isso deveria ter um nome próprio) ao deixar escapar uma bola que facilmente estava segura. Aquele chute em que se pensa “Defendi”. E logo a bola está no fundo do gol passando por entre as pernas. Um sentimento que se resume no dócil substantivo “frango”.
Goleiros heróis, goleiros performáticos, goleiros goleadores, goleiros frustrados. Para poucos o cheiro de grama é tão familiar. O contato íntimo com ela deixa marcas. Para poucos uma vaga no campo é tão segura. A camisa de número um sempre tem nome garantido. Para poucos uma vaga no banco pode ser tão duradoura. Aquela esperança a cada vez que o titular leva as mãos à perna. Sofre. Sofre mesmo. Eis o goleiro.
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